Com 49 mil hectares queimados, Mato Grosso do Sul tem pior janeiro para incêndios florestais da década
Publicado em 29 jan 2026
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por João Prestes •
Dados apresentados pelos meteorologistas do Cemtec/MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) durante a reunião do Centro Integrado de Comando e Controle (Cicoe/MS), na manhã dessa quinta-feira (29), janeiro de 2026 já aparece como o pior da década para incêndios florestais. Foram queimados 49.434 hectares no Estado de 1 a 27 de janeiro, área mais que o dobro do que a registrada em 2024 (22.036 ha), até então a pior da década, e bem acima daquela consumida pelo fogo no mesmo período de 2020 (15.050 ha), o ano em que aconteceu a pior catástrofe ambiental provocada por incêndios no Estado.
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, demonstrou preocupação com a situação de “criticidade” que os dados revelam e pediu que todas as forças envolvidas nas ações de prevenção, controle e combate a incêndios florestais estejam prontas e mobilizadas. Além do risco ambiental, a escassez de chuvas já traz prejuízos econômicos para Mato Grosso do Sul, conforme o secretário.
“Esses números refletem diretamente na safra do Estado, com impacto na produtividade. Aqueles agricultores que conseguiram plantar a soja no início do período de chuvas, escapou da estiagem. Mas em regiões que não choveu o suficiente e os produtores acabaram fazendo o plantio tardio, as lavouras estão agora na fase de desenvolvimento dos grãos e a falta de chuvas vai prejudicar”, afirmou.
Em geral, o mês de janeiro apresentou 30% menos chuva do que a média histórica na região do Pantanal. Levantamento do Cemtec/MS mostra que, entre 1º e 26 de janeiro, nenhum dos pontos monitorados pela rede de estações meteorológicas do Estado alcançou a média histórica de chuvas. Em localidades como na Serra do Amolar, em Corumbá, o nível de chuvas está 98% abaixo do esperado. Em Paranaíba, região do Bolsão, 99% abaixo.
O secretário Jaime Verruck frisou, ainda, que na bacia do rio Paraná, poderá haver restrição ao uso da água para não prejudicar as usinas de geração de energia elétrica. Outras atividades como irrigação e até mesmo a navegação poderão ser restringidas caso a situação de estiagem persista.
Os modelos meteorológicos apontam para um agravamento da situação a partir de junho, quando o fenômeno El Niño passa a influenciar as condições climáticas em geral, provocando elevação de temperaturas em um período que já é marcado pela escassez de chuvas. Os riscos de incêndios florestais aumentam na conjunção desses fatores (altas temperaturas, estiagem e ventos fortes).
Diante da situação já estabelecida e das previsões negativas, o secretário Jaime Verruck salientou que serão necessárias medidas urgentes e a conjunção de forças dos governos estadual e federal, produtores e população em geral para evitar que contenção máxima dos riscos e prejuízos. “Será difícil repetir o controle que tivemos ano passado, quando o tempo ajudou e tivemos chuva em abril. O que precisamos fazer é conseguir o melhor resultado em um ano que se mostra muito desfavorável”, concluiu.










Texto: João Prestes
Fotos: Mairinco de Pauda
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação – SEMADESC




