Exposição no MIS aborda o feminicídio com obras de 14 artistas mulheres
  • Publicado em 02 mar 2026

    por Karina Medeiros de Lima •

Está aberta no Museu da Imagem e do Som a exposição O Grito que Ecoa, que aborda a questão do feminicídio. A exposição traz obras de 14 mulheres artistas – Bejona · Marcia Lobo Crochê · Vitória Lorrayne · SYUNOI · Veryruim · Letícia Maidana · Terrorzinho · Kami · Sabrina Lima · Thalya Veron · Maíra Espíndola – com curadoria de Sara Welter (Suynoi).

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A exposição articula pintura, arte têxtil, objetos, instalação, performance, música e poesia para refletir sobre feminicídio e as múltiplas violências direcionadas aos corpos femininos. A proposta é transformar experiências de silenciamento e apagamento em presença, linguagem e ocupação simbólica do espaço institucional.

Em um estado que registra índices alarmantes de violência contra mulheres, “O Grito que Ecoa” assume a arte como gesto de denúncia, memória e resistência. As obras tensionam delicadeza e brutalidade, intimidade e política, criando um percurso que atravessa dor, força e permanência.

Segundo a curadora Sara Welter, a ideia da exposição surgiu a partir de algumas discussões com o coletivo Dorcelina Folador, “observando que essa temática percorre desde o proprio do coletivo, visto que Dorcelina Folador foi vítima de feminicidio em Mundo Novo, nesse sentido vendo a necessidade de falarmos sobre isso e toda a repercussão com as tantas vítimas no Brasil e em Mato Grosso do Sul, chegamos à conclusão que era necessário e urgente produzir essa exposição”.

O Coletivo Dorcelina Folador surge em 2020 com o objetivo de romper com padrões patriarcais. “A história do coletivo se forma a partir da união de várias artistas mulheres que utilizam da arte para contar suas vivências. Atualmente o coletivo tem como integrantes mais de 10 artistas mulheres de Mato Grosso do Sul, que permanecem criando e reivindicando seus espaços através do seu fazer artístico. As artistas: Bejona, Erika Pedraza, Leticia Maidana, Marcia Lobo Crochê, Thalya Veron, Veryruim, Terrorzinho, Maira ESpindola, Cecilia Hanna, Sabrina Lima, Sara Welter (SYUNOI), Thalita Nogueira, Suellen Rocha, Ester Rohr, Da Mata, Ana Deluck, Vitória Queiroz, Vitória Lorrayne e Kami”.

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A mostra integra a primeira etapa do projeto Nós Dissemos: Circuito de Arte Dorcelina Folador, que prevê ainda outras duas exposições em diferentes espaços culturais da cidade.

Sobre a sua obra na exposição, “A VIA CRUCIS DO CORPO”, Sara explica que foi produzida de forma inédita pra a exposição O Grito que Ecoa. Feita com nanquim, carvão e pastel seco, tem como proposta representar o corpo da mulher de forma ambígua e fantasmagórica. “Esse corpo aparece em duas formas opostas, ora pendurado pela mão, ora pendurado pelo pé. Tal linhas se enrolam pelo corpo da figura, trazendo referência desde shibari até mesmo como cortes. Ali então, esse corpo sem cabeça, com sua face ocultada, é dislacerado, machucado e violentado, o que resta é apenas a impressão do crime no tecido.

Este projeto é contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc, juntamente com a Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande. Para a curadora Sara Welter, é muito importante ver como esses recursos públicos possibilitam viabilizar projetos e exposições na nossa cultura. “Com esses financiamentos muitos artistas têm portas abertas para fazer com que suas ideias saiam do papel e se tornem palpáveis, essa exposição é uma dessas ideias que se tornou real. Com esse recurso conseguimos fazer a exposição com toda a infraestrutura necessária para uma exposição, realizar obras inéditas com materiais para cada artista, além de todas as questões que envolvem o projeto serem bem desenvolvidas”.

A exposição fica em cartaz até o dia 6 de março, no Museu da Imagem e do Som (MIS de MS). O MIS fica no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania, localizado na avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro. Mais informações pelo telefone (67) 3316-9178.

Fotos: Larissa Marca


Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS