Batalha La Brysa Sul-Americana fortalece a presença do hip hop no Festival América do Sul
  • Publicado em 17 maio 2026

    por Daniel •

  • Como parte das atividades do Festival América do Sul 2026, que encerra neste domingo (17), está a “Batalha La Brysa Sul-Americana”, realizada na Arena do Porto. A Batalha foi pensada como uma batalha de conhecimento, em que os quatro MCs convidados e também o público de Corumbá que participam têm que falar de um tema, um assunto específico que os MCs são julgados como quem falou melhor sobre aquele tema. É uma batalha bem de ensino e aprendizagem, assim, diferente daquelas de sangue, de ataque, que as pessoas estão acostumadas.

    A Mestre de Cerimônias Alessandra Coelho, mais conhecida como MC Rabbit, disse achar muito importante abrir espaço para a Batalha no Festival, “porque a cultura hip-hop já é uma cultura marginalizada, uma cultura invisibilizada, já é uma cultura de rua, de periferia, de favelado, sendo que é uma cultura que salva muitas vidas. Como foi a nossa proposta de trazer o conhecimento também, debater temas políticos, socioculturais, atualidades, esportes, cultura, então, é uma proposta que é importante de estar em todos os ambientes de cultura, em todos os festivais, porque já é algo que acontece na rua semanalmente. Aqui em Corumbá tem muitas batalhas de rua independentes, que acontecem direto, sem dinheiro de ninguém, de governo, de patrocínio. Então, é importante a gente ter essas possibilidades, já que é uma cultura autônoma, que sobrevive há tanto tempo”. 

    Uma das participantes, a MC Nathy, de Campo Grande, está na cena hip hop há um ano e veio a Corumbá especialmente para participar da Batalha.  “Hoje eu tenho que me dar o meu melhor para o público no quesito conhecimento, que é o formato da batalha. A gente tem que representar as melhores propostas com o adversário para a gente poder ganhar o nosso round. Então a gente tem que estar dentro do tema em que é apresentado pela apresentadora e se discorrer melhor do que o outro MC, para a gente poder passar de fase. Para mim, ser MC é a minha vida. Não é só um trabalho, não é só um estilo, é tudo o que eu acredito, tudo o que eu quero, que eu represento, tudo que eu quero mostrar como pessoa, ou também como coletivo, ou como alguém que está à frente de várias mulheres que também se reconhecem e tem essa referência dentro da cultura hip-hop”.

    O cantor, compositor, poeta e modelo Gabriel Dias, o MC Diaz, de Campo Grande, disse que na batalha do conhecimento, o que agrega não é atacar o outro com palavras de baixo calão, mas sim demonstrar conhecimento sobre os temas e quem tiver mais conhecimento que consegue desenrolar melhor. “Ser MC é muito mais que só pegar um microfone e falar qualquer coisa é uma responsabilidade é uma postura é um estilo de vida”.

    Rafael Coelho de Barros, o MC Koda, também de Campo Grande, apresentou um trabalho de improviso, como “tirar da nossa cabeça mesmo alguma coisa sobre esses temas e passar um pouquinho de informação tanto para quem está escutando mais próximo, para as pessoas que precisam escutar isso e isso. A importância da nossa cultura está chegando em mais lugares e a gente mostrar que a gente está aqui pra esse povo inteiro, sabe? Às vezes, eu mesmo, quando eu era menor, eu não sabia muito o que eu ia fazer, eu acho que eu sempre fui artista, eu acho que é importante a gente tocar o molequinho que também não sabe o que vai fazer, mas às vezes é um pouquinho mais arteiro, é hiperativo, e aí ele não sabe porque ele é hiperativo, é porque ele nasceu pra fazer outra coisa, sabe? E daí a gente ter esse espaço pra a gente se expressar, a gente falar o que a gente precisa falar num lugar grande desse”.

    Texto: Karina Lima

    Fotos Elias Campos

     


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS