Catedral Erudita leva música de concerto e música brasileira para o Festival América do Sul
  • Publicado em 15 maio 2026

    por Daniel •

  • O projeto Catedral Erudita integra a programação do Festival América do Sul 2026, e levou a música de concerto para a Catedral Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá, na manhã desta sexta-feira (15). Com entrada gratuita, o projeto reúne formações de excelência, solistas premiados e repertórios que transitam do erudito ao popular brasileiro, sempre em diálogo com a riqueza sonora e a diversidade cultural do país.

    Criado em 2023, o Catedral Erudita leva apresentações de música de concerto a igrejas e templos históricos de Mato Grosso do Sul, explorando a acústica e a atmosfera singular desses espaços. Desde sua estreia, o projeto já recebeu orquestras e solistas do Brasil e do exterior, ampliando o alcance cultural e fortalecendo o intercâmbio artístico.

    No concerto de hoje, foi realizado um duo do maestro Eduardo Martinelli e o músico Brenner Rozales, de um projeto que os dois fizeram pelo FIC, em que gravaram um disco sobre o Patápio Silva. Os dois músicos tocaram algumas músicas do Patáio Silva em duo de viola e violão. Depois o quarteto Aracy apresentou o Quarteto número 4 em dó menor de Beethoven, do Opus 18. E finalizando o concerto, o grupo tocou o Quinteto de Boccherini em ré maior, o fandango. 

    O maestro Eduardo Martinelli lembrou que o projeto Catedral Erudita nasceu na Catedral Nossa Senhora da Candelária, no ano de 2023. “Foi um conserto com a Orquestra e a Tetê Espindola. Foi uma abertura mais popular, mas dentro de uma linguagem de música de concerto. Hoje a gente teve aqui um quarteto, um dos quartetos de Beethoven. Que é uma música extremamente complexa, e percebemos uma plateia também intelectualmente preparada para esse tipo de música. Então a gente pode dizer que o Catedral Erudita é uma das ferramentas mais eficientes de democracia musical, de democracia cultural, onde a gente não restringe o acontecimento a um estilo em si, mas tudo aquilo que a música de concerto, no seu sentido mais amplo, pode proporcionar: junção entre músicos de orquestras diferentes, repertório com cantores populares acompanhados por uma orquestra, apresentação de música de câmara com obras já consagradas e imutáveis dentro do repertório da música de concerto”. 

    O violista Brenner Rozales, que integra o quarteto Aracy, disse ser uma honra se apresentar com o projeto Catedral Erudita no Festival América do Sul, porque para ele é o maior Festival de Mato Grosso do Sul. “Todo mundo sabe que aqui no nosso estado é o maior festival que tem de música e poder trazer um pouco do meio clássico, da música mais antiga, é muito interessante porque geralmente temos artistas atuais aqui cantando, e poder reviver um pouco dessa história mais antiga de como toda a música foi se desenvolvendo até os dias de hoje, é bem interessante mostrar o público”.

     

    A professora de música do Instituto Moinho Cultural de Corumbá, Caísa da Costa Alves, veio prestigiar o concerto, que para ela, “foi maravilhoso”. “É uma experiência única que o festival traz pra gente. Por exemplo, eu trouxe os meus alunos da escola e eles nunca tiveram a oportunidade de ter esse contato com a música erudita, com a música clássica. Então, eles vivenciarem essa experiência no festival foi único. Eu vou poder trabalhar com eles em sala de aula ou no dia a dia pra eles entenderem que também faz parte da nossa cultura, da nossa história, a música clássica erudita”.

    Georgia Angelica Velásquez-Ferraz, professora nascida e criada em Corumbá, afirmou que ela e seus amigos participam desde a primeira edição do Festival América do Sul. “Essa iniciativa do Governo do Estado é muito importante porque ela oferece para a gente acesso, coisa que só teríamos viajando para outras cidades, parcelando passagem, hospedagem, ou mesmo nem indo. E isso, acontecendo na nossa cidade, nos permite interagir com outras culturas que só acrescentam aos talentos locais. O concerto de hoje foi, como sempre, maravilhoso, e a acústica da igreja só agrega no talento dos músicos”.

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    Texto Karina Lima

    Fotos Ricardo Gomes


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS