COP15 do Pantanal começa com desafio de ampliar espaço de proteção às espécies migratórias

COP15 do Pantanal começa com desafio de ampliar espaço de proteção às espécies migratórias

COP15 do Pantanal começa com desafio de ampliar espaço de proteção às espécies migratórias

  • Publicado em 23 mar 2026

    por João Prestes •

  • A Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), que acontece pela primeira vez no Brasil (Campo Grande – MS), teve o ato do Segmento de Alto Nível reunindo os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; do Paraguai, Santiago Peña, e autoridades representando diversos outros países, realizado na tarde desse domingo (22), no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo. Participaram, ainda, as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e do Planejamento, Simone Tebet, assim como o governador Eduardo Riedel, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck; o secretário adjunto Artur Falcette e a secretária executiva de Meio Ambiente da Pasta, Ana Trevelin.

    Em seu pronunciamento, o presidente Lula desejou que a COP15 seja “um espaço em defesa da natureza e da humanidade”, ressaltando que “migrar é um ato natural; ao cruzar os continentes conectados com sistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limite entre estados”.

    O presidente aproveitou a ocasião para anunciar investimentos na conservação do meio ambiente: assinou atos criando uma unidade de conservação em Minas Gerais com 41 mil hectares, ampliou em 47,3 mil hectares o Parque Nacional do Pantanal, localizado em Poconé (MT), e a Estação Ecológica de Taiamã, em Cáceres (também MT), em mais 56,9 mil hectares.

    Lula afirmou que o fato da COP15 acontecer em Campo Grande (MS) é simbólico pela localização geográfica do Pantanal. “(…) simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência de países cujas faunas e as floras atravessam fronteiras”, disse o presidente. E lembrou que a onça pintada se movimenta por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. “A sobrevivência dessas espécies depende de ação coletiva”, completou.

    Metas do Brasil

    A gestão brasileira da Convenção sobre Espécies Migratórias, que se prolongará pelos próximos três anos, tem, na visão do presidente Lula, três objetivos principais: dialogar com princípios consagrados pelas Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade, como as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”; trabalhar para ampliar e mobilizar recursos financeiros, criar fundos e mecanismos multilaterais e inovadores, principalmente para os países em desenvolvimento; e universalizar a Declaração do Pantanal que propõe que mais países se envolvam de maneira eficaz na proteção das espécies das rotas migratórias.

    O governador Eduardo Riedel ponderou que Mato Grosso do Sul carrega uma responsabilidade ambiental de escala global por abrigar três importantes biomas: o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal, que é um dos ecossistemas mais preservados do planeta com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. “Proteger o Pantanal é proteger fluxos ecológicos que ultrapassam fronteiras. O que diferencia o Mato Grosso do Sul é como escolhemos nos desenvolver. Nosso Estado passou por um processo consistente de transformação produtiva, fizemos com entendimento claro de que desenvolvimento e conservação não são opostos”, disse Riedel.

    A ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, afirmou que a realização da COP15 em Campo Grande demonstra a prioridade do governo brasileiro com a conservação do Pantanal. A maior planície alagável do mundo e bioma reconhecido por sua biodiversidade é ponto logístico natural de de parada para descanso e alimentação para 190 espécies de aves, que transitam do hemisfério norte (Canadá, EUA) até o extremo-sul (região da Patagônia). “Precisamos de acordos, políticas integrais e compromissos conjuntos. Alinhar estratégias e reconhece que proteger espécies é proteger o equilíbrio global”, disse a ministra.

    A Conferência

    Com o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a COP15 tem seu ato formal de abertura às 10 horas dessa segunda-feira (23) e se estende até o dia 29 de março. A Blue Zone (Zona Azul), que concentra as discussões e atividades envolvendo as partes, está sediada no Expo Bosque (Shopping Bosque dos Ipês). A agenda contempla os eventos organizados pelo secretariado da CMS (Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias e Animais Silvestres), discussões de planos de ação e análise de propostas para inclusão e revisão de espécies na lista de proteção. Paralelamente haverá atividades no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo e Casa do Pantanal (veja programação da COP15 aqui).

    A CMS é um tratado ambiental das Nações Unidas, em vigor desde 1979, que promove a conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas em escala global. A COP é a principal instância decisória da CMS, reunindo representantes, cientistas e especialistas de 132 países e da União Europeia para atualizar as listas de espécies protegidas pelo acordo, definir o orçamento e resoluções que orientam políticas públicas e iniciativas de conservação no mundo todo. Ao todo são 1.189 espécies migratórias listadas, sendo 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 espécies de peixes, 10 répteis e um inseto.

    Texto: João Prestes (Semadesc), com informações da Agência de Notícias Secom/MS
    Fotos: Álvaro Rezende, Secom/MS

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    Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação – SEMADESC